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Archive for November, 2010

Na primeira emissão de Zepelim da Grelha de Inverno da Ruc, viajámos até às zonas mais frias do planeta para escutarmos um dos maiores instrumentos musicais – o gelo. Escutámos os sons produzidos pelos mantos de gelo e pela vida sonora que o rodeia em diferentes habitats. Os primeiros sons que ouvimos nascem da epopeia climatérica de 10,000 anos de formação de gelo que deram origem ao glaciar islandês Vatnajokull. Uma composição sonora gravada por Chris Watson presente no disco Weather Report [Touch, 2003], fruto de vários anos de gravação e diversas visitas ao glaciar, retratando a passagem do tempo e o espectro dos seus estados sonoros. É uma gravação dominada pelo timbre profundo do vento entre o gelo, o som de rios subterrâneos, o ranger do gelo ou o movimento lento do glaciar que vai desaguando no mar da Noruega. Na continuação do inóspito e gelado, ouvimos gravações de Douglas Quin realizadas na Antárctica aquando a sua estadia nas residências de McMurdo Station (entre Outubro e Dezembro de 1996) e de Palmer Station (entre Novembro, 1999 a Janeiro de 2000), a partir do programa Antarctic Artists and Writers financiado pela National Science Foundation.

Palmer Station, Anvers Island, Antarctica (64°46′27″S, 64°3′11″W)

Quin é um artista sonoro norte-americano doutorado em Ecologia Acústica que tem arquivado, durante mais de 20 anos, paisagens sonoras em torno de todo o mundo. Foi recentemente colaborador do realizador alemão Werner Herzog no documentário Encounters at the End of the World (2007), sendo responsável pela captação sonora dos chamamentos sub-aquáticos de focas. Neste Zepelim, ouvimos gravações idênticas de Quin que contêm sons de focas-de-weddell, focas-leopardo e orcas.

Explorámos ainda algumas das propriedades sonoras do gelo, quer a partir de formações maciças como glaciares, quer a partir de lagos gelados. O gelo dos lagos durante os períodos de grande flutuação de temperatura (ao início e fim do dia)  apresentam movimentos de expansão e contracção cuja a tensão acumulada provoca fissuras no gelo dando origem a  fenómenos acústicos. Estes mantos de gelo funcionam como grandes membranas através das quais o som se propaga; as frequências mais altas viajam mais rapidamente através do manto de gelo do que as frequências mais baixas, como resultado são produzidas explosões sonoras onde domina um som sintético que parece artificial.

Este é um excerto da dispersão de som no gelo de um lago, na zona de Berlin no Inverno de 2005/2006, gravada pelo compositor e artista sonoro Andreas Bick. Esta gravação faz parte de um conjunto de duas composições (frost pattern, 2006 e fire pattern, 2007) inicialmente transmitidas pela rádio alemã Deutschlandradio Kultur, vencedoras do Phonurgia-Nova-Prize 2008 e que serão editadas brevemente pela label alemã Gruenrekorder. Desta editora seleccionámos alguns dos field recordings presentes na compilação The sound of snow and ice (2007) [zip], de onde se destacou a gravação Lake Ice Booming de Curt Olson.

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Carlo Patrão

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