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Archive for October, 2009

O Zepelim convidou Manuela Barile, performer /pesquisadora vocal e co-directora artística da Binaural, a apresentar-nos uma peça sonora inédita que sobrevoasse a sua obra. Gentilmente, Barile aceitou o nosso convite, oferecendo-nos  a peça “Abbiamo fatto 30 facciano 31”, uma colagem sonora cujo composição nos revela não só o seu lado artístico, mas também uma profunda reflexão sobre o sentido das suas experiências, enquanto criança e adulta…

“Abbiamo fatto 30 facciamo 31!” – Uma Peça Sonora de Manuela Barile

“Abbiamo fatto 30 facciamo 31!” é uma expressão italiana que significa aceitar empreender uma tarefa imprevista adicional, depois de já se ter decidido fazer muitas outras coisas. 31 é também o número de aniversários que já cumpri. Com esta peça sonora pretendo apresentar-vos algumas das linhas temáticas do meu trabalho artístico: a memória pessoal e colectiva, a infância, a dor, a morte, o sentido dos lugares, a autenticidade, o abandono, a esperança.

Na escolha dos vários trechos que compõem a peça reflectem-se as várias experiências da minha vida e a forma como me coloco perante a vida, ao procurar meter-me em jogo, ao não tomar as coisas de forma demasiado séria ou pesada e ao acolher positivamente os imprevistos, assumindo os riscos inerentes.

As composições da minha autoria utilizadas nesta peça sonora são: Lullaby for Whales (2003), Larve Gongolanti (2004), Cik Ciak Song (2006), On the Wing (2006), Ossessione (2009), Pesa (2009) e Moroloja (2009). Dela fazem parte também um excerto de um concerto de “La Scatola” (um projecto intermedia concebido por mim e pelo artista sonoro Rui Costa em 2007) e “Five Instruments and a Gun”, uma peça escrita pelo compositor austríaco Arnold Haberl (a.k.a Noid) e interpretada em 2008 por mim e por outros quatro músicos na paisagem envolvente à aldeia de Nodar.

Nesta peça sonora estão também presentes as vozes de algumas pessoas próximas de mim (o meu filho Samuel, o meu companheiro, a minha avó, a minha mãe, o meu pai, os meus tios, a tia Ilda de Nodar, velhos e novos amigos), assim como referências a canções que assinalam momentos importantes da minha maturação pessoal, filmes, excertos de desenhos animados da minha infância, referências a lugares onde habitei ou habito (Bari, Londres, Bolonha, Nodar) e vozes de artistas, por coincidência (ou talvez não) todos já desaparecidos: Andrei Tarkovski, Matteo Salvatore, Maria Callas, Anna Magnani, Carmelo Bene e Pier-Paolo Pasolini, em cujos percursos de vida e de arte me revejo muitíssimo.

Em Ossessione (2009), Pesa (2009) e Moroloja (2009) a minha voz foi gravada em campo. Actualmente a minha pesquisa artística constrói-se sobre e para os lugares, tendo não só em conta as propriedades acústicas desses lugares por mim escolhidos, mas também outros aspectos que vão desde a memória e a tradição até aos aspectos de conformação natural do território, das simbolizações rituais e sagradas aos “genius loci”.

Manuela Barile

Manuela BarileManuela Barile

Biografia e Pesquisa Artística

Manuela Barile (n. Bari, Itália em 1978) é uma artista multidisciplinar e performer vocal italiana residente em Portugal.

A sua pesquisa artística assenta num trabalho projectual que combina os sons da voz com diversos media (performance art, field recordings, vídeo, fotografia, escrita, desenho) e utiliza diferentes formatos de apresentação (instalações sonoras e vídeo, composições sonoras, concertos-performances, etc.).

A conexão entre o público e o privado tem sido uma constante interrogação no seu trabalho, bem como a ligação entre as memórias e recordações colectivas. Ela concebe a sua arte como uma investigação contínua na realidade onde a artista coloca questões e dúvidas no sentido de captar as subtilezas ocultas da vida e da nossa actual condição.

A arte de Manuela Barile nasce da uma indagação subtil e minuciosa em redor das pequenas coisas da realidade quotidiana aparentemente banais e insignificantes as quais, através de uma amplificação sensorial a que são sujeitas durante o processo criativo, assumem um sentido de “revelação” e de “necessidade”.

Utilizando uma linguagem simples, feita de símbolos e de metáforas, a artista procura criar situações de aparência enigmática, entre o familiar e o estranho, nas quais tudo é colocado continuamente em discussão e onde emerge o seu sentido de humor, do paradoxo, o prazer do risco e sobretudo o desejo de divertir-se sem levar-se demasiado a sério.

A sua abordagem à vocalidade é lúdica e espontânea; reflecte a sua ligação com a natureza, os animais e o ambiente que a circunda, dos quais busca continuamente inspiração. Através dos seus sons, a artista procura dar voz a ecos longínquos difíceis de serem expressos por palavras, que retornam ao presente com grande intensidade.

Manuela Barile já trabalhou ou colaborou com Mario Volpe, Gianni Lenoci, Mainha maturação pessoal, filmes, excertos de desenhos animados da minha infância, referências a lugares onde habitei ou habito (Bari, Londres, Bolonha, Nodar) e vozes de artistas, por coincidência (ou talvez não) todos já desaparecidos: Andrei Tarkovski, Matteo Salvatore, Maria Callas, Anna Magnani, Carmelo Bene e Prcello Magliocchi, Amy Denio, Phil Minton, Tristan Honsinger, Rinus Van Alebeek, Duncan Whitley, Anna Hints, Evelyn Müürsepp, Tiriddilliu, Claudio Parodi, Alessandro Buzzi, Chris Iemulo, Rui Costa, Paulo Raposo, Antez, Ernesto Rodrigues, Nilo Gallego, Dennis Báthory-Kitsz, Madamme Cell, Maile Colbert, Pali Mersault, Cédric Anglaret, Noid, etc. As suas composições vocais foram incluídas em vários filmes, documentários, projectos de vídeo arte (Annamaria Ippolito, Patricia Leal, Xaquin Rosales, etc.). Trabalhou igualmente com teóricos e coreógrafos de dança (Bojana Bauer, Paula Pinto).

Em 2006 participa com o artista italiano Pino Pipoli em “Una Notte di Arte Totale “inaugura” Fresco Bosco” evento inaugural da exposição “Fresco Bosco” curada pelo famoso crítico de arte Italiano Achille Bonito Oliva no parque de Certosa di San Lorenzo em Padula (Salerno).

Manuela Barile iniciou em 2007 uma colaboração com o artista sonoro português Rui Costa para o desenvolvimento de um projecto intermedia intitulado ‘La Scatola’. Em 2009, aprofundou alguns núcleos temáticos de “La Scatola” através do projecto “Locus in Quo”, um conjunto de instalações sonoras / vídeo e performances que indagam vários aspectos relacionados com o sentido dos lugares.

Manuela Barile é co-directora artística da Binaural, uma associação cultural portuguesa que se dedica à promoção de som e artes intermédia desenvolvida num contexto rural. A Binaural dirige desde 2006 um programa de residências artísticas em Nodar, uma pequena aldeia no centro de Portugal.

Websites:

http://www.manuelabarile.com

http://www.binauralmedia.org

* Video gravado em Maio de 2006 no Pavilhão Atlântico – Festival Sonicscope 06.  “Due Uccellacci e un uccellino”. Manuela Barile (voz), Rui Costa e Paulo Raposo (video + sound manipulation).

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Regresso de Zepelim à antena da RUC em novo horário, entre as 23h e a 00h de quarta-feira.

Neste reinício, olhámos para a época dourada dos jogos arcade, nos anos 80 do século XX. A história desta forma de entertenimento remonta à decada de 30 desse século, com o aparecimento das máquinas de pinball, em madeira e baseadas em princípios mecânicos, que foram largamente utilizadas nos salões de jogos e parque de diversões da época, e progride lentamente até 1958, quando William A. Higinbotham, físico no Brookhaven National Laboratory (em Upton, NY), criou “Tennis for Two“, um jogo baseado na tecnologia do osciloscópio, para tentar animar os entediados visitantes do laboratório, indtroduzindo na prática o conceito de videojogo. Diz a lenda em redor da matéria que Nolan Bushnell, que mais tarde fundou a Atari com Ted Dabney, terá visitado o Brookhaven National Laboratory na sua adolescência. A sua empresa acabou por ser crucial para a expansão dos jogos de video em 1972, quando começou a distribuir o seu primeiro fenómeno, Pong. Nos anos seguintes a indústria fluoresceu, com títulos como Space Invaders ou Pac-Man, que foram imensamente populares, sobretudo nos Estados Unidos e Japão, durante toda a década de 80 e até aos inícios da de 90, quando as tecnologias de entretenimento doméstico disponíveis atingiram o mesmo grau de sofisticação que as “máquinas de moedas”.

É nesses anos (entre 1982 e 1986), que se situam as gravações de Classic Arcade Sounds. O autor, não identificado, e o seu melhor amigo Raymond cresceram nos salões de jogos do Estado de Nova Iorque, onde fizeram as gravações com um gravador Sony TCS-310 Stereo dos sons que faziam as máquinas de jogos, e apanhando inadvertidamente alguns dos seus próprios comentários. Estas gravações estiveram perdidas na casa dos pais do autor, em Ithaca, NY até 1997, quando se mudou para o Oregon e, no processo, encontrou as velhas cassetes que agora disponibiliza no seu site, e que constituiram a maior parte do Zepelim de hoje, complementadas com alguns sons originais desses jogos.

José Afonso Biscaia

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(edit: links actualizados)

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