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Archive for November, 2008

as paredes têm ouvidos

Em Abril de 2007, o americano Aaron Ximm (ou Quiet American), deslocou-se à pequena aldeia do Norte do Concelho de São Pedro do Sul, de nome Nodar. Próxima de Castro Daire e de Arouca, Nodar esconde-se num vale do Rio Paiva e tem estimulado um vasto número de artistas de dispersas áreas, a criarem diferentes abordagens na arte sonora e visual. Acolhidos por uma residência típica de xisto, a Nodar Guest Studio da Associação Cultural Binaural, os artístas são encorajados a partilhar os seus trabalhos através de performances, ensaios abertos, conversas ou exposições no local da residência dirigidas aos públicos locais.

O trabalho artístico que Quiet American desenvolveu em Nodar, baseou-se na captação das sonoridades naturais que envolvem a aldeia. Os sons da trovoada, o som do moinho a funcionar ou a voz da tia Ilda e as suas ovelhas teimosas, compondo o projecto “As paredes têm ouvidos“, um conjunto de 5 colagens sonoras temáticas: people, animals, things, water e nature.

as paredes têm ouvidos

Nesta ediçao de Zepelim musicámos a colecção “As paredes têm ouvidos” com:

Pierre Bastien – Tides [Visions of Doing, 2008]

Luciano Cilio -Della Conoscenza [Dell’universo assente, 2007] (excerto)

Matthew Robert Cooper – Miniature 3 [Miniatures, 2008]

John Luther Adams – Among Red Mountains [Red Arc/Blue Veil, 2007] (excerto)

White Rainbow –  Middle [Prism of Eternal Now, 2007]

Aidan Baker & Tim Hecker Hymn to the Idea of Night [Fantasma Parastasie, 2008]

Greg Davis & Sebastien Roux – Eugene [Mereveilles, 2008]

Library Tapes – The Fragile Tide [A Summer Beneath The Trees, 2008]

Até ao próximo dia 14 de Dezembro, pode-se escutar no Teatro Viriato em Viseu, quatro “paisagens sonoras” de Nodar. A instalação áudio é composta por obras de Maksims Shentelevs (Letónia), Pali Meursault (França), John Grzinich (EUA/Estónia) assim como “As paredes têm ouvidos” de Aaron Ximm a quem dedicámos esta emissão do Zepelim.

“I discovered you could learn about the land, the wild
animals, the domestic animals, the pets, the kind of work people do,
the kind of songs they sing, what the local language sounds like (even
when I cannot understand it) and how people to talk to one another…
sound is a window to understanding as big as the eyes, but usually we
are so distracted looking at things that we don’t pay attention to this
other window.
” – Aaron Ximm

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(edit: Links actualizados)

Carlo Patrão

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Zepelim de 19.11.2008

Um Zepelim especial inspirado pelos acontecimentos de Jonestown, no dia 18/11/1978.

Jonestown era uma pequena cidade situada na Guiana, e habitada por membros da seita do People’s Temple, guiada por James Warren Jones, ou Jim Jones. Esta seita, fundada na cidade de Indianopolis em 1955 e seguidora de uma mescla de crenças religiosas igualitárias e de ideologia comunista radical, baseou-se na cidade de S.Francisco em 1968, após o seu líder ter uma visão apocalíptica na qual os estados de Illinois e Indiana eram destruídos por um ataque nuclear. Aí foi conquistando uma influência crescente, graças a diversos programas de acção social, ao carisma de Jim Jones e a técnicas de lavagem cerebral importadas da China. Rapidamente o seu raio de acção se espalhou por toda a California e estados circundantes.

No ano de 1974, a seita chamava já muitas atenções mediáticas, criando o que os seus membros consideraram uma perseguição. Para fugir a isso, e em resposta ao que chamaram o “crescente fascismo dos Estados Unidos”, membros do People’s Temple começaram a emigrar para uma propriedade arrendada na Guiana, fundando o People’s Temple Agricultural Project, ou Jonestown. Em 1977 a mudança estava praticamente concluída, atingindo a cidade uma população próxima das 900 pessoas. Contudo, alguns membros da seita fugiram de Jonestown, denunciando ao Congresso americano situações de violação de Direitos Humanos. Leo Ryan era o congressista eleito por S.Francisco e foi encarregue de averiguar a situação. Durante a sua visita, diversos membros manifestaram a sua vontade de abandonar também Jonestown, o que despertou a ira de Jones e das suas temidas Red Brigades que acabaram por interceptar a comitiva do congressista, matando-o, bem como a um dos fugitivos e três jornalistas.

jonestown2

Nessa noite, James Warren Jones convenceu os seus seguidores a suicidarem-se, bebendo cianeto, enquanto ele se suicidava com um tiro. Morreram 918 pessoas. No Zepelim de hoje, ouviram-se excertos da gravação do debate que tiveram nessa noite, acompanhados por:

1.Stars of the Lid – Don’t Bother, They’re Here (…And their Refinement of Decline, 2007)
2.Hecq – Magnetism (Night Falls, 2008)
3.Tim Hecker – Azure, Azure (Radio Amor, 2003)
4.White Rainbow – Warm Clicked Fruit (Prism of Eternal Now, 2007)
5.Expo ’70 – Heir of Serpents (Split with Be Invisible Now,2008)
6.Valet – Drum Movie (Naked Acid, 2008)

José Afonso Biscaia

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1. Koen Holtkamp –  Free Birds [Make Haste; A room forever – limited edition vinyl, 2008] (excerto)

+ Fabio Orsi – Tomorow Love [ Audio for lovers, 2008]

2. Bexar Bexar – Unsettled and Unable [Tropism, 2007]

3. Keith Fullerton WhitmanSchnee [Antithesis, 2004]

4. Pierre Bastien – Energy Energy [Visions of Doing, 2008]

5. Machinefabriek – Di-o-day [Drawn (with Soccer Committee), 2008]

6. Larkin Grimm – They Were Wrong [Parplar, 2008]

7. Sparkling Wide Pressure – Invisible Morning Feeling [Touching Pasture, 2008]

8. Tom Carter & Christian Kiefer – Hard Time Killing Floor Blues [From The Great American Songbook, 2008]

9. Matthew Robert Cooper – Miniatures 7 [Miniatures, 2008]

+ Koen Holtkamp –  Free Birds [Make Haste; A room forever – limited edition vinyl, 2008] (excerto)

Carlo Patrão

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Larkin Grimm . Parplar . Young Records . 2008

Larkin Grimm . Parplar . Young God Records . 2008

Natural de Memphis, Larkin Grimm cresce na Geórgia rodeada pelos Montes dos Apalaches no seio de uma família de hippies devotos da extinta ordem religiosa Holy Order of Mans. As primeiras canções que Larkin ouviu foram, possivelmente, da sua mãe – melodias fartas de esperança e luz de um coração hippie. A sua infância e juventude são passadas num confortante isolamento perto da natureza, recheado de valores puros que brotavam das profundezas da terra e tocavam a liberdade. Larkin recorda os contos de fadas que a mãe lhe contava quando era pequena. O seu pai aproveitando a deixa, diz-lhe que o seu nome Grimm é da descendência dos Famosos Irmãos Grimm… Na verdade, é na escrita de canções que Larkin se revela com poemas autobiográficos, onde pairam atmosferas habitadas por assassinos, paixões, sexo e morte. Já crescida Larkin Grimm estuda Belas-Artes em Yale. Procura dar azo ao seu sentido de liberdade não mantendo uma morada fixa, viaja pela Tailândia (onde convive com mulheres strippers humilhadas por turistas sexuais) e Guatemala.

Parplar. Young God Records . 2008

O seu último álbum Parplar vive da estranheza do homem-réptil, do pavor e da euforia. Na voz de Larkin moram os arquétipos de tudo o que já se viveu, o herói e a morte, a mãe e a casa, o medo e a criança. Histórias do início dos tempos… They were wrong que inicia o disco impressiona pela proximidade, e sussurra-nos que a esperança vive do lado de cá. Ride that Cyclone mostra-nos que este não é um disco de uma pessoa só, surgem as trompetes, os banjos, as guitarras, os acordeões e a precursão da responsabilidade dos convidados Fire on Fire da Young God Records.

Este é o primeiro álbum de Larkin Grimm assinado pela editora de Michael Gira, depois de ter editado pela Secret Eye, The Last Tree e Harpoon Baptism. Michael Gira é o produtor e quem encorajou Larkin a escolher as 15 faixas que compoêm Parplar de um universo de 50.

Larkin Grimm, Já partilhou a estrada com Devendra Banhart, Spires that in the Sunset Rise, Espers, Mi and L’au, Brightblack Morning Light, Viking Moses, the Microphones, Old Time Relijun e com o português Norberto Lobo.

Entretanto, Larkin continua a sua infindável viagem entre o místico e o natural, entre o Homem e a Terra…

Carlo Patrão

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1.Zelienople – Family Beast (His/Hers, 2007)

2.Library Tapes – Fragment II (Fragment, 2008)

3.DOPO – For the Entrance of the Sun pt.II (For the Entrance of the Sun, 2007)

4.James Blackshaw – Past Has Not Passed (Lithany of Echoes, 2008)

5.Frango – Tru Pop/Chicória (Sitting San, 2005)

6.Religious Knives – Blackbird (Remains, 2007)

7.Fursaxa – Rattling the Calabash (Alone in the Dark Wood, 2007)

8.Larkin Grimm – I am Eating Your Deathly Dream (Harpoon Baptism, 2005)

José Afonso Biscaia

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